Na Hipocrisia do mundo você se descobre,
e, se encontra, quando vive um grande amor
Vicente Alencar

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

COMO MATAR UMA RUA CENTRAL


COMO MATAR UMA RUA CENTRAL
Vicente Alencar
(Da Sociedade de Cultura Latina do Brasil - CE)

          Matar uma rua não é difícil. Desde que você não permita que o cidadão e a cidadã possam ter o direito de ir e vir, sem serem incomodados. Em Fortaleza, uma das ruas que mais sofrem é a Liberato Barroso, bem no "coração" da cidade, principalmente, no trecho que vai da Rua General Sampaio à Rua Floriano Peixóto.  

          E o que é matar uma rua, no meu entendimento?
      
          É, justamente, o que se fez alí. Em cada quarteirão instalaram-se milhares de vendedores de rua. Prestem atenção que não estou dizendo vendedores ambulantes, aqueles que, antigamente, com um Tabuleiro nas mãos vendiam seus produtos. Ou, no máximo, com um banquinho para sentar-se, de vez em quando, e um tabuleiro.
          Atualmente não, o transeunte ( ainda se usa essa palavra, sim senhor) não pode andar. Fica com uns trinta centímetros para ir e voltar, sendo um do lado esquerdo e outro do direito da Via.
        O restante é totalmente tomado por vendedores. E é bem pior que a Feira de Caruaru. Compram-se cadernos, vasos, aparelhos de som, Cds, sapatos, chinelos, roupa, comida, todas as espécies de peças de plástico, outras de metal, e uma centena de outras coisas.
          Sabemos que muitos destas mercadorias são dos próprios lojistas, que "contratam" os vendedores, por um percentual em cima de cada produto vendido. Forma-se o caos. As calçadas estão ocupadas e, como a Via não é para passagem de veículos, encontramos o verdadeiro inferno na terra. As pessoas de menor poder aquisitivo - na maioria os clientes - não reclamam, ninguém reclama, não há policiamento.
            Espero que jamais seja preciso um socorro, seja de ambulância ou carro de bombeiros. Não terá como chegar ao local do problema. Torna-se impossível socorrer uma pessoa. Mas, ninguém reclama, e a rua vai morrendo. Para quem apelar?

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