Na Hipocrisia do mundo você se descobre,
e, se encontra, quando vive um grande amor
Vicente Alencar

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Fala do presidente da CSN

 Não é só o analista do Santander que acompanha a atual conjuntura. E agora, o governo vai mandar demitir o dono da CSN?  Merece divulgação.

Dono da CSN diz que Brasil enfrenta risco de recessão inédito
Por Eduardo Laguna, Olivia Alonso e Ivo Ribeiro | De São Paulo
            Principal acionista da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e presidente interino da Federação das Indústrias 
do Estado de São Paulo (Fiesp), o empresário Benjamin Steinbruch fez ontem pesadas críticas ao que disse ser uma 
situação inédita de risco de recessão econômica em um ano eleitoral no Brasil.
"Nunca vi, em ano de eleição, perspectiva de recessão tão forte como temos agora", afirmou o dono da CSN e 
representante da indústria durante a abertura de um congresso organizado pelo Instituto Aço Brasil (IABr) na zona sul da 
capital paulista.
           O executivo disse que os negócios na indústria recuam cerca de 25% a 30% e, na falta de perspectiva de 
recuperação, o país está sob a iminência do desemprego.
Em discurso perante ao ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges - o principal representante do governo federal 
no evento -, Steinbruch avaliou que não há hoje estímulos para se investir no país, criticando ainda a "ciranda" de juros 
elevados e alta carga tributária entre os entraves ao desenvolvimento econômico. "Hoje em dia só louco investe no 
Brasil."
          Segundo ele, dificuldades geradas por incertezas em anos de eleição já eram previstas, mas a instabilidade atual 
tem sido fora do normal mesmo se comparada a outros períodos eleitorais. "Num ano eleitoral, as coisas são mais 
difíceis por questões políticas. A partir de junho, a gente só pensa no que vai acontecer no ano seguinte, depois da 
eleição."
          Ao falar da retração dos negócios na indústria, Steinbruch lembrou, em especial, a crise das montadoras, que 
suspenderam pedidos por conta de férias coletivas nos últimos dois meses, o que afetou o faturamento de uma longa 
cadeia vinculada a esse setor, incluindo as usinas siderúrgicas.
          Mais tarde, cercado por jornalistas, o executivo disse que seu discurso retratou a situação de toda a economia e 
não apenas de seu setor, o de produção de aço. Também reforçou que muitas empresas estão na "iminência de mandar 
funcionários embora". "Está difícil para todo mundo, mas podemos melhorar. Precisamos tomar medidas rápidas", 
afirmou, citando a necessidade de retomada do modelo de crescimento baseado no consumo, acrescido por 
investimentos em infraestrutura. "Todos empreendedores vão investir se tiverem condições", disse.
          Ao criticar o distanciamento do governo com o setor industrial, o empresário disse que a situação para as 
empresas está perto do limite e que medidas paliativas não resolvem.
          Após a apresentação do presidente da CSN, o ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges, reconheceu que país 
passa por um momento de dificuldade, mas avaliou que a desaceleração da economia brasileira tem sido provocada por 
uma crise internacional que já dura sete anos. Segundo ele, o impacto dessa crise no país já chegou ao "fundo do poço".
Diante das críticas sobre a desaceleração econômica, o ministro, perante executivos da indústria siderúrgica, 
destacou o que tem sido feito pelo governo para aquecer a demanda no setor. Nesse ponto, citou os investimentos de 
R$ 193 bilhões em moradias do Minha Casa, Minha Vida e o programa de concessões que deve injetar R$ 200 bilhões 
em infraestrutura de logística, como rodovias, portos e ferrovias.
          Nos painéis que se seguiram às apresentações de Steinbruch e Borges, problemas como as deficiências de 
infraestrutura, o custo da energia e, principalmente, o sistema de incidência de impostos em cadeia do país voltaram a 
ser alvo de críticas dos empresários que participaram ontem do congresso do IABr.
         




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Prof. Mateus Mosca Viana, Dr.

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