Na Hipocrisia do mundo você se descobre,
e, se encontra, quando vive um grande amor
Vicente Alencar

sábado, 8 de dezembro de 2012

A opinião do trovador - essa rima vale ou não vale?

Bom dia, poetas!
Aproveito o soneto abaixo, do consagrado poeta Haroldo Lyra, para colocar em pauta um tema que sempre tem divido as opiniões.
Ninguém acha estranho e muitos até valorizam a rima entre palavras homófonas mas não homógrafas, p. ex.: passo/abraço.
Há porém repúdio de alguns, cujo aval predomina, sendo por isso evitadas, as rimas com terminações: au/al (varal/capiau),
éu/el (céu/anel) e iu/il (sentiu/Brasil).
Embora na escrita nos pareça estranho, em parte por não ser comum, em minha modesta opinião, o que vale na rima é o som e não a escrita.
Na linguagem falada, não há dúvida de que o "l" terminal de todas as palavras se transforma em "u", quando no encerramento da frase. O som de"ele" só é mantido no meio da frase, quando elide com a palavra seguinte, se iniciada com vogal. Ex.: Mil artes (milartes).
Se estou enganado, agradeceria ser corrigido por nossos poetas gramáticos, eu não sou... O que acham?
Em tempo: Que bom se houvesse uma oficialização sobre os objetos dessas discussões, determinado-se a validade ou não, para que não continuem a ser prerrogativa de opiniões pessoais, tolhendo a liberdade de criação.
 
DESPEJADAS

Haroldo Lyra - CE

Trocou su’alma santa e o mais sutil
traço de vida calma e intemerata,
pelo vesgo contágio da ribalta
que lhe acena com brilho mercantil.

Na luxúria, no beijo que arrebata
das entranhas da carne o gozo vil,
paga o preço que a fama discutiunas premissas que o vero não retrata.

E colhe entre os abraços repentinos,
os laivos dos amores clandestinos,
em cavilosas juras gotejadas,

que tão cedo lhe explodem em desenganos,
martírio desses tratos levianos:
o alto custo das ninfas despejadas.
 
Abraços do
Pedro Ornellas

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