Na Hipocrisia do mundo você se descobre,
e, se encontra, quando vive um grande amor
Vicente Alencar

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

CULTURA HISTÓRICA? Antônio de Albuquerque Sousa Filho*

CULTURA HISTÓRICA?
Antônio de Albuquerque Sousa Filho*
Recentemente foi encontrado no lixo da Faculdade de Medicina, danificado entre placas enterradas, o busto do ex-governador Faustino de Albuquerque e Souza. Para aqueles que não sabem quem foi Faustino de Albuquerque, esclareço que se formou em direito (Faculdade de Direito do Ceará, em 1910), professor de português e francês da Escola Normal e Liceu do Ceará (1911), 1º Diretor do Teatro José de Alencar (1912). Na carreira de juiz (1914-1927) atuou nos municípios de Maranguape, Barbalha, Camocim e Baturité, Desembargador (1928), 1º Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (1934-1937, 1945), Presidente do Tribunal de Justiça do Estado (1938 e 1945), Governador do Ceará (1947-1950) e 1º presidente do Instituto Brasil/Estados Unidos (IBEU).
           A história registra o esforço para a criação da Faculdade de Medicina do Ceará, a partir de 1947, com o surgimento da Sociedade Promotora da Faculdade de Medicina do Ceará, tendo como presidente de honra o médico Cesar Cals de Oliveira e presidente o médico Jurandir Morais Picanço. Posteriormente a referida Sociedade foi transformada em Instituto de Ensino Médico (1948), com sua diretoria formada pelos médicos Cesar Cals, Jurandir Picanço, João Otávio Lobo, Antônio Jucá, Haroldo Juaçaba, Eliezer Studart e mais os médicos João Saraiva Leão, Ossian Aguiar, Paulo Machado, Walter Cantídio, Waldemar Alcântara, Newton Gonçalves e Carlos Ribeiro e que foi instalada no 12 de maio de 1948.
O governo Faustino de Albuquerque cedeu o prédio onde funcionava o Grupo Escolar José de Alencar (atual sede do IPHAN), para sediar a Faculdade de Medicina do Ceará. Também foi cedido o Hospital Carneiro de Mendonça, então em construção, atualmente o Hospital Universitário Walter Cantídio. Em reconhecimento aos professores pioneiros da Faculdade e a seus apoiadores - como o Governador Faustino de Albuquerque - foram erigidos bustos colocados em salas de aula e laboratórios.                             
           É chocante ver ocorrer tal descuido, principalmente em relação a uma instituição importante como a  Universidade Federal do Ceará. Recentemente o Tribunal de Contas da União solicitou tombamento dos seus prédios e a equipe encarregada para o levantamento tem dificuldades, vez que placas indicativas das datas de inaugurações foram retiradas; retratos de antigos diretores desaparecem; arquivos com material histórico da Universidade abandonados no subsolo do antigo prédio dos Institutos Básicos (atual setor de pessoal), onde inundações destruíram-nos.
Em nossa cidade tem sido ação corriqueira mudar placas de ruas, avenidas e praças. É bem representativo episódio ocorrido à época da oligarquia Nogueira Acioli, quando foi inaugurado jardim com seu nome na Praça José de Alencar; tão logo assumiu Franco Rabelo, a antiga placa foi retirada e o local rebatizado com o nome do novo governante. Canhões históricos do velho forte foram vendidos como ferro velho etc. Por isso não admira ocorreram histórias desse tipo. Cadê a consciência histórica?
*Professor aposentado da UFC.

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