Na Hipocrisia do mundo você se descobre,
e, se encontra, quando vive um grande amor
Vicente Alencar

terça-feira, 5 de maio de 2020

COLUNA 1675. VICENTE ALENCAR 3ª FEIRA 05.05.2020

COLUNA DO VICENTE ALENCAR
EDIÇÃO Nº 1675
05 DE MAIO DE 2020
TERÇA-FEIRA.
FORTALEZA - CEARÁ - NORDESTE - BRASIL.

NÃO ESQUEÇA:
MOTO - A MORTE SOBRE DUAS RODAS!

CRÔNICA DE PRIMEIRA
Magnífica a Crônica "Synochus Catarrhalis" publicada no Blog "As Trilhas da Vida" do Médico e Escritor Costa Eleutério, da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo no último domingo. Os internautas estão felizes. Parabenizo ao Confrade pela qualidade do texto.

VILAR MARQUES
um dos grandes narradores esportivos de nosso estado foi moti vo de entrevista ontem das 11h30min ao meio dia na Ceará Rádio Clube, 1.200 AM a antiga e sempre querida PRE-9, a Pioneira.

Falou inclusive do início de sua carreira, em Sobral,  até chegar a Rádio Dragão   do Mar (assassinada)   prédio 696, que era cognominado  o Palácio do Rádio. 

NÃO ESQUEÇA:
Calçada não é estacionamento. Por favor motoristas respeitem os pedestres.

PRESIDENTE
Jair Bolsonaro perdeu a paciência com alguns colegas que integram a "Imprensa Marron" que lamentavelmente trabalha contra os interesses democráticos do Brasil.

Lamentavelmente em Fortaleza, alguns esquerdopatas que utilizam câmeras, microfones e jornais também, atuam, prestando um desserviço a Nação. Mas tudo passa sobre a terra como dizia o velho José de Alencar.

Quem não honra a sua profissão, seja Jornalista, Médico, Engenheiro, Advogado, Religioso, Professor, Enfermeiro, qualquer profissão não merece ser chamado de profissional.

Hoje às 22 horas nos 620 AM da Rádio assunção Cearense mais
um Programa Vicente Alencar - Educação, Cultura e Esporte. Antes, às 21 horas, o Programa "Liberdade de Expressão" com Morais Filho e equipe.

TROVAS DE PEREIRA DE ALBUQUERQUE:
(Membro titular da UBT - FORTALEZA)

Nestes dias tão medonhos,
a Covid a toda brida
resta apelar para os sonhos
que dão vida a nossa vida.

Volta a paz do apartamento
antes que o virus te enrabe:
quem rejeita o isolamento
deseja a morte e não sabe.

Não vou sair. Não agora!
Quem sabe lá para abril,
quando o virus for embora
deixando em paz o Brasil.

Já nao bastassem os tiros,
na noite, e a fome plebeia,
agora o Carona Virus
ataca de cefaleia.

LEIA E PRESTIGIE OS AUTOES CEARENSES:

Livro:
Pelos Caminhos da II Guerra Mundial.
Autores: Eleazar de Castro e Goreth Gurgel.
(Escritores Cearenses).
Leia e recomende aos seus amigos.



Instituto Camões celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa com programação online

Instituto Camões celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa com programação online

Instituto Camões celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa com programação online
O Camões-Instituto da Cooperação e da Língua vai celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa com uma programação online disponibilizada no seu canal no YouTube a 05 de maio a partir das 12h. (8h. no Brasil)
O evento, realizado em parceria com a CPLP, UNESCO e ONU News, inclui testemunhos do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro português, António Costa, do chefe de estado de Cabo Verde e presidente em exercício da CPLP, Jorge Carlos Fonseca, do secretário-executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, e de Sampaio da Nóvoa, representante de Portugal na UNESCO, informa.
Haverá ainda testemunhos de escritores, desportistas, cientistas, artistas entre outras individualidades, gravados em vídeo, acerca da dimensáo pluricêntrica da Língua Portuguesa.
Manuel Alegre, José Ramos-Horta, Mia Couto, Germano Almeida, Maria Manuel Mota, Adriana Calcanhotto, Fernando Pimenta, Flora Gomes, Carminho, Milton Hatoum e o Cardeal José Tolentino Mendonça são algumas das personalidades que iráo falar sobre a importància mundial da língua portuguesa, em todos os nívies e setores.
A componente cultural acontece através de um concerto com os cantores Aline Frazão (Angola), Ivan Lins (Brasil), Teófilo Chantre (Cabo Verde), Manecas Costa (Guiné-Bissau), Stewart Sukuma (Moçambique), João Gil (Portugal), Tonecas Prazeres (São Tomé e Príncipe) e Zé Camarada (Timor-Leste) e vai encerrar a transmissão do evento, que permanecerá disponível e de acesso público no YouTube.



Nos associamos às comemorações, neste dia da maior importância para o nosso idioma, para o Brasil e para Portugal, bem como de todos os países qe falam, escrevem e interpretam a Língua Portuguesa.

- Instituto Cearense de Cultura Portuguesa (Fortaleza-CE).

- Academia Cearense de Poesia (ACP).

- Academia Cearense de Cultura e Arte - (ACCA).

- Instituto Brasileiro de Divulgação Literária - 
(IBDL).

- Sociedade Cearense de Geografia e História (SCGH).

- Instituto do Rádio (IR).

- Associação Brasileira de Radialistas de Turismo - ABRRATUR.

- Associação Brasileira de Jornalistas Poetas (ABJP)

REMINISCÊNCIAS - Fortaleza, 18/4/20. Rui Martinho Rodrigues. Publicado no blog da ACLJ e no Segunda Opinião.


REMINISCÊNCIAS

Isolamento social, noticiários monotemáticos e a inconveniência do convívio social incomodam até misantropos. O distanciamento involuntário aborrece. Até viciados em leitura pensam nas atividades sociais agora desaconselhadas. A percepção do tempo se transforma. Horas escorrem preguiçosas. Pensamentos situados no fim de uma longa fila, agora encontram espaço. O futuro, sempre insodável, tornou-se preocupante. A incerteza adquiriu status de inquietação. Mnemosine, a musa da memória, desperta a lembrança de Clio, sua filha e de Zeus, deusa da História, que tem consigo uma trombeta e descreve os desafios vividos e as soluções sempre encontradas. Não há limite para os sacrifícios antes do epílogo de suas narrativas.

Mnemosne desperta reminiscências que orientam o olhar para o outro extremo: o futuro e o encontro com o inescrutável. O porvir pede a compreensão do passado, fechando o círculo. Em uma vida testemunhamos transformações nos mais diversos campos. A volatilidade do que Zygmunt Bauman (1925 – 2017) deu o nome de modernidade líquida, transformou as atividades lúdicas infantis, como as bricandeiras de roda; o jogo de pedras das meninas; o fura chão dos meninos. Cadeiras nas calçadas quase desapareceram. Novelas do rádio foram extintas. Vendores de porta em porta desapareceram. Referências culturais e identidades se dissolveram.

As novas tecnologias impactantes superaram superaram as inovações de muitos séculos em uma só geração. Afastaram ou atenuaram o perigo de algumas epidemias recorrentes, como varíola, sarampo, parotidite, poliomielite, meningite e difteria. Mas chegaram outras, como zica, chikungunya, dengue, AIDS, gripe asiática e gripe suína. Antibióticos, antivirais e principalmente vacinas haviam nos proporcionado uma confortável sensação de segurança.

No tempo de uma vida não muito longa tivemos muitas crises políticas. Parlamentarismo, deposição de presidente, dois impeachments, renuncia de um papa, revolução dos costumes, reforma ortográfica, reformas do ensino e graves crises financeiras e econômicas. Experiências históricas orientavam a busca de soluções em todas elas. Estrategistas estudam história militar; economistas analisam crises passadas; sanitaristas aprendem com a história das epidemias. Veio, porém, o inédito. “De repente do riso fez-se o pranto/(...)/Fez-se do amigo próximo distante/(...)/De repente, não mais que de repente” (Marcus Vinicius de Moraes, 1913 – 1980). A singularidade sem precedente não se faz acompanhar de lições do passado. o despreparo diante dela não é coisa de Macunaíma (Mário Raul Morais de Andrade, 1893 – 1945), que só fecha a porta depois de roubado. Afaste-se o complexo de vira-lata (Nelson Falcão Rodrigues, 1912 – 1980). O radicalmente novo não tem manual de instrução.

A calamidade pública facilita a corrupção, repondo o citado herói sem caráter no centro da cena. Claude Lévy-Strauss (1908 – 2009) não estava inteiramente certo. Não só os nossos trópicos são tristes. Foi o mundo todo que “de repente, não mais que de repente” se fez triste”, perplexo e entrou em pânico. Subitamente, porém, a trombeta de Clio anunciará a superação do infortúnio. Não sabemos os sacríficios que encontraremos pelo caminho, mas a História tudo resolve, apesar da corrupção que se aproveita do afrouxamento dos controles durante a calamidade e da demagogia, forma decadente da democracia (Aristóteles, 385a.C – 323a.C). Invoca-se em vão o santo nome da ciência, como se no caso ela fosse unívoca. Convém, todavia, na luta inescrupulosa pelo poder, seguir o caminho proposto por Nicolau Maquiável (1469 – 1527): aparentar virtude.

Fortaleza, 18/4/20.

Rui Martinho Rodrigues.

Publicado no blog da ACLJ e no Segunda Opinião.

LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS


segunda-feira, 4 de maio de 2020

TRE prorroga a suspensão do expediente presencial por tempo indeterminado Caixa de entrada x


O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) prorrogou, por prazo indeterminado, a suspensão do expediente de trabalho presencial na Secretaria e, na capital e no interior, nas diretorias dos fóruns, nas centrais de atendimento ao eleitor e nos cartórios eleitorais, com a manutenção do regime de teletrabalho, nos termos das Portarias Conjuntas TRE/CE n.° 3/2020 e 4/2020. Tal prorrogação pode ser revista a qualquer tempo.



A decisão, publicada no Diário de Justiça Eletrônico do TRE-CE, nesta quarta-feira, 29/4, consta na Portaria Conjunta nº 15/2020, assinada pelo presidente da Corte, desembargador Haroldo Máximo, e pelo vice-presidente e corregedor regional, desembargador Inácio Cortez. A medida foi tomada para preservar a saúde e segurança dos servidores e do próprio público que frequenta o Tribunal, tendo em vista a preocupação com a propagação do novo Coronavírus (COVID-19).



Para solicitar alistamento (primeira via), transferência de domicílio eleitoral e revisão de dados cadastrais, os eleitores podem preencher, até às 23h59 do dia 6 de maio, o requerimento no Título Net, que pode ser acessado por meio do site do TRE-CE (www.tre-ce.jus.br).



Ficam mantidas, neste período de suspensão do expediente, as sessões do Pleno do Tribunal realizadas por meio de videoconferência, estando assegurados aos advogados das partes a realização de sustentações orais, a serem requeridas com antecedência mínima de 24 horas, nas classes de processos que a comportem, e o uso da palavra para os efeitos do art. 7°, inciso X, da Lei n.° 8.906/1994.



Prazos Processuais



Ainda segundo o normativo, os prazos processuais dos processos que tramitam em meio físico continuam suspensos durante a permanência da suspensão do expediente, sem prejuízo de eventual publicação, no Diário de Justiça Eletrônico (DJE), de acórdãos, decisões monocráticas e despachos prolatados nos referidos processos.



Os processos judiciais e administrativos em todos os graus de jurisdição, que tramitem em meio eletrônico, terão os prazos processuais retomados, sem qualquer tipo de escalonamento, a partir do dia 4 de maio de 2020, sendo vedada a designação de atos presenciais.



Estagiários



De acordo com a Portaria Conjunta nº 15/2020, os estagiários de nível médio permanecem dispensados do cumprimento das atividades do estágio supervisionado durante a suspensão, sem prejuízo do recebimento da bolsa.



Em relação aos estagiários vinculados ao Programa de Estágio de Nível Superior, a norma determina que as atividades passam a ser realizadas, durante o período, sempre que possível, em regime de teletrabalho, nos termos de ato normativo específico a ser editado pela Presidência deste Tribunal.



Fortaleza, 29 de abril de 2020.

PNAD Contínua TIC 2018: internet chega a 68,9% dos domicílios cearenses


A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua investigou no quarto trimestre de 2018, pela terceira vez, o tema suplementar sobre Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC. A investigação abrangeu o acesso à Internet e à televisão nos domicílios particulares permanentes e o acesso à Internet e a posse de telefone móvel celular para as pessoas de 10 anos ou mais de idade.

Em anexo, segue arquivo em pdf, com dados da PAND Contínua TIC 2018, Ceará.

Segue link de acesso da divulgação da pesquisa:





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Supervisão de Documentação e Disseminação de Informações

Unidade Estadual do IBGE no Ceará

(85) 3464-5312/ 5311/ 5367

(85) 9 8806-7833 (Whatsapp)

Área de anexos

PANDEMIA E PLANEJAMENTO - Fortaleza, 15/4/20. Rui Martinho Rodrigues. Publicado no blog da ACLJ e no focus.jo.


PANDEMIA E PLANEJAMENTO

A pandemia revelou fragilidades. Alertas de pesquisadores sobre a possibilidade de evento detalhadamente descrito como muito semelhante ao que está acontecendo foram ignorados. Faltou planejamento. Quem iria buscar votos propondo realocação de verbas para um perigo nunca visto pelas gerações atuais? A busca de “negócios da China” criou uma dependência impensável e perigosa de todo o mundo. Mais uma vez faltou planejamento. A crença no planejamento centralizado ganha força. Depois de fracassar nas experiências concretas, o planejamento centralizado e diretivo do socialismo real perdeu prestígio. O socialismo irreal, voltado para a mobilização de minorias magoadas, optou pelo domínio da cultura como meta (deveria ter outro nome?). A gestão centralizada da economia pelo Estado foi quase esquecida ou até negada.

A pandemia ameaça destruir as empresas e exige grande intervenção do Estado. A falta de planejamento central e diretivo voltou a ser prestigiada. É grande a sofreguidão com que os intelectuais se atiram ao sonho da República de Platão (428/427 – 348/347), na qual os filósofos governavam. É a sedução do poder, como disse Friedrich Nietzsche (1844 – 1900): vontade de potência. Sepultam a autocrítica do autor da República, na obra “As leis”. Preferem a primeira, com ela sentem-se virtuosos defendendo um mundo perfeito, embora tal perfeição não fosse a igualdade de todos em tudo, como apregoam. Os filósofos governavam, os trabalhadores deviam sustentá-los e os militares garantir-lhes o poder. Era a igualdade de alguns (os filósofos) em tudo, comparável aos “mais iguais” da ficção de George Orwell (Eric Arthur Blair, 1903 – 1950). Os candidatos a reis filósofos são perseverantes. Não temem que a criatura se volte contra o criador, apesar das experiências históricas nesse sentido. A obra de Lesley Chamberlain (1951 – viva), “A guerra particular de Lênin”, descreve a perseguição sofrida pelos intelectuais nas circunstâncias em que esperavam ser reis, apossando-se do espólio da burguesia.

O planejamento central diretivo é atraente. Permite centrar os recursos da sociedade nos objetivos dos dirigentes do Leviatã. O absolutismo realiza façanhas. Portugal, pequeno e pobre, conquistou grande parte da América do Sul, África e Ásia; transformou o Índico e o Atlântico Sul em lagos lusitanos. O sol não se punha nas terras de Felipe II, da Espanha, tão absolutista e centralizadora quanto Portugal.

Igualmente grandiosos foram os feitos do totalitarismo. A Revolução Francesa pisou com suas botas desde de Lisboa até Moscou; deixou o código napoleônico, mudou mentalidades forçando com sucesso considerável mudança cultural. A URSS venceu a Alemanha, saiu da IIGM com quatro vezes mais tanques e artilharia, além de cinco vezes mais aviões de caça do que todos os países capitalistas juntos e com o maior exército já visto até hoje. Fez o maior arsenal nuclear e um programa espacial admirável. A pequena e miserável Coreia do Norte construiu armas nucleares e mísseis como os de grande potência. O problema do planejamento central é que ele só nasce no jardim das ditaduras, seus objetivos passam longe do bem-estar social e arruínam o Estado. Portugal, Espanha, URSS e Coreia do Norte são exemplos disso.

A intervenção do Estado, em momentos de desastres, é necessária e proveitosa. Chamar um policial (o Estado) quando o ladrão ataca não justifica um policial morando em cada casa permanentemente.

Fortaleza, 15/4/20.

Rui Martinho Rodrigues.

Publicado no blog da ACLJ e no focus.jo.

LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS


sexta-feira, 1 de maio de 2020

VIRTUDES E INTERESSES Fortaleza, 13/4/20. Rui Martinho Rodrigues. Publicado no blog da ACLJ e no Segunda Opinião.


VIRTUDES E INTERESSES

O bem comum, em suas diversas acepções, está presente nas teorias políticas, assim como na axiologia. Aristóteles (384 a.C. – 362 a.C.) entendia que a ação política no exercício do munos publicum deveria ser recompensada, no que demonstrava ceticismo em face do servidor público altruísta. O partido republicano contemporâneo do estagirita defendia a ideia segundo a qual os agentes políticos deveram agir por altruísmo. Modernamente Adam Smith (1723 – 1790), autor, entre outras obras, da “Teoria dos sentimentos morais”, antes de ser considerado economista dedicou-se ao estudo da Filosofia Moral, era da escola do iluminismo escocês e pensava como Aristóteles, apesar de David Hume (1711 – 1776) ter exercido influência sobre ele.

Smith concluiu que recompensar aqueles que servem ao interesse social é mais produtivo do que confiar na dedicação desinteressa. Parece certo. A paixão abnegada, sem motivação argentária não é menos perigosa. Tende a ocultar motivações sob a alegação de virtude. O escamoteado é suspeito. O condenável cálculo pecuniário, por ser cálculo, tende a ser racional. É possível condenar a lógica dedutiva e indutiva. Mas até para condená-la os seus críticos se servem dela. É mais fácil identificar o interesse material do que a volúpia pelo poder apontada por Friedrich Nietzsche (1844 – 1900).

Resíduos e derivações (Vilfredo Pareto, 1848 – 1923) podem submeter pessoas inteligentes e cultas à influência medieval. Vi dois profissionais bem informados declararem, no mais escancarado reducionismo, que o problema do Brasil era o lucro. Esqueceram do papel positivo do “famigerado lucro” no desenvolvimento dos trigres Asiáticos. Todos os indicadores de bem-estar social apontam para melhorias. Mas foram trocados pelos dados de concentração de renda. A diferença foi confundida com desigualdade (José D’Assunção Barros, 1967 – vivo). Parece que o problema não é pobreza. Mortalidade inflantil, esperança de vida, escolaridade média, acesso aos bens que proporcionam conforto nada significam. A “desigualdade” (diferença), aumentou e isso basta.

Thomas Samuel Kuhn (1922 – 1996) explica a dificuldadade por outro caminho: a cegueira dos paradigmas. Gaston Bacelard (1884 – 1962) diz que o conhecimento pode obstacular o avanço dos saberes. Economistas qualificados alegam que o Brasil é uma das maiores economias do mundo e apesar disso temos muita pobreza. Esquecem que a maioria dos países desenvolvidos tem população muito pequena. Temos o PIB maior do que Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca, Israel, Suiça, Bélgica, Mônaco, Países Baixos, Nova Zelândia e quase todos os países desenvolvidos. Mas a proporção de pobres entre eles é menor do que entre nós porque têm a relação população/PIB muito mais favorável.

Economistas discutem a baixa remuneração, não a produtividade. Pregam a distribuição da riqueza dos outros. Não falam na qualificação de recursos humanos. Descrevem a pobreza com muitos dados estatísticos, mas passam ao largo do problema da cultura da pobreza, para o qual nos alerta Antony Guidens (1938 – vivo).

Ao lado dos resíduos e derivações medievais, temos a cegueira dos paradigmas, herança teoria da pauperização, que precisou ser substituída pela noção de “consumismo” depois de desmentida pelos fatos. Conhecimento não é sabedoria e virtudes nem sempre orientam bem. Muitos se preocupam com a influência confessional na política. Mas o que são os resíduos e derivações medievais na denúncia da desigualdade e satanização do lucro?

Fortaleza, 13/4/20.

Rui Martinho Rodrigues.

Publicado no blog da ACLJ e no Segunda Opinião.

LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS