RÁDIO GUARANI DE FORTALEZA
Pela Internet não há distância que nos separe.
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Pela Internet não há distância que nos separe.

O Povo. 30/06/2022 (quinta-feira).
Em 2 de outubro próximo, políticos serão escolhidos pelos brasileiros. Todos nós seremos iguais perante as urnas, sem distinção de qualquer natureza. Muito se observa, em dia de votação, um interiorano do nosso Nordeste indagar a um amigo se ele já cometeu o seu sufrágio, e a resposta, no caso deste ainda por votar, ser: “Até agora, não perdi meu prestígio”.
De fato, é deveras influente quem contribui à seleção para presidente, governador e parlamentares, com os últimos não sendo distritais porque nunca a mudança foi plebiscitada, o que também acontece com a possibilidade de adoção do Parlamentarismo em tempos atuais.
Emergiu de uma das mentes mais criativas da história da publicidade brasileira a citação que se segue: “Eu só dou palpite em duas circunstâncias: quando pedem minha opinião ou se eu tiver pensado em algo realmente muito bom para dizer.” Não sei se pela sua primeira alternativa, pela segunda ou por ambas, Washington Olivetto afirmou: “Não faço propaganda para políticos porque não divulgo algo que é entregue diferente do que foi prometido”. Ainda bem que nem todo homem público assim é. Muitos são bem-intencionados e, a depender de nossas escolhas, poderão tornar-se maioria.
No próximo pleito, ideal é que o votante opte por um político não pelo seu discurso, senão pelo seu interior, pois, vezes várias, suas propostas não são autênticas. Sugiro ao leitor a criação de um turno seu, só seu, antes das eleições oficiais, quando você constituiria mentalmente dois grupos com os doze prováveis presidenciáveis: um conjunto com postulantes de tendências democráticas e outro, oposto ao primeiro, com desejos autocráticos. Em seguida, se faria a pergunta: sou favorável à democracia, como nos EUA e Brasil, ou a um regime totalitário com pouca alternância de poder, como em Cuba, Rússia ou China, onde a força vale mais do que o voto? Definida a sua opção, a sua oposição a um dos times o eliminaria, e, por sincronia, seria escalada a sua equipe, de onde sairia o seu candidato. Talvez assim se faça uma escolha tão lógica quanto justa, e sua consciência agradeceria.
Comemora-se o dia da árvore, em 21 de setembro.
É uma data para reflexões e questionamentos. As árvores são nossas companheiras de viagem, mantenedoras de nossas vidas. Qualquer que seja sua espécie, elas fazem parte dos biomas da vida. “Ou flores ou frutos ou sombra darão”, além de renovar o ar que respiramos.
Lembro-me, já distam algumas décadas, cursava eu o terceiro ano primário, no Grupo Escolar Gonçalves Dias, sendo minha professora Consuelo, uma senhorita esbelta, de olhos vívidos e rigorosa em seus ensinamentos. Minha prima Isabel, a quem inda hoje chamo de priminha, compromisso de fogueira junina, também estudava na mesma classe. Como éramos ‘adiantados’, a professora encarregou-nos de recitar, num programa da rádio local, Rádio Mearim de Caxias, este poema gonçalvino, exatamente, no dia da árvore, após todos os alunos participarem do plantio de algumas pequenas árvores, em pontos adrede preparados, em torno da praça do grupo escolar. Embora alguns denominem-no de ‘A uma poetisa’, ele foi dedicado à Adélia Fonseca, a qual nomina de ‘Safo cristã’. Avó de Honorina de Abreu, que se tornou freira carmelita descalça, no Convento de Santa Tereza, Rio de Janeiro, com o nome de Madre Maria José de Jesus e encontra-se em processo de beatificação pela Igreja Católica.
Eis o poema que apresentamos, em dueto:
— Donde vens, viajor?
— De longe venho.
— Que viste?
— Muitas terras.
— E qual delas mais te soube agradar?
— São todas belas; fundas recordações de todas tenho.
— E admiraste o que?
— Ah! onde as flores
Cada vez a manhã tornam mais linda,
Onde gemeu Paraguaçu de amores
E os ecos falam de Moema ainda;
Ali, Safo cristã, vigem formosa,
A vida aos sons da lira dulcifica:
D’escutar a sereia harmoniosa
O de vê-la, a vontade presa fica!
(Pedro Bezerra de Araújo, Pierre Nadie)
MOVIMENTO CULTURAL TERÇA-FEIRA EM PROSA E VERSO
Coordenação Vicente e Margarida Alencar
21 de Setembro de 2022
Dia do Rádio e Dia da Árvore
Um Texto literário do Médico e Escritor
Pedro Bezerra de Araújo, o Pierre Nadie.
MORRER E AMAR
Morrer e amar, dizem, são universais. Aquele o é mais, enquanto amar é, profundamente, infinito. Aquele é ‘atentado’ à existência, este, desafio do viver.
Morrer é um diálogo exclusivo de si com suas entranhas, com seus órgãos, com seu corpo. A unidade do ser quebra-se para poder penetrar numa outra dimensão e recuperá-la, agora, sem as limitações descartadas. A mesma unidade essencial do ser personalizado é readquirida, melhor dizendo, permanece, pois, sua identidade assim o exige para continuar sendo identidade.
Para uns, a outra dimensão é o caos, o nada, o fim. Neste caso, a identidade funda-se com este ‘nada’, torna-se ‘nada’, mas não se perde, para quem o ‘nada’ e o ‘caos’ existem.
Para os que veem, além do horizonte terrestre, a esperança promete o ressurgir identitário e jamais a destruição, o aniquilamento. O pensamento, que nos dá o livre-arbítrio, embora impulsionado pelos neurônios e estimulado por sensores corporais, configura-se numa simplicidade metafísica e, como tal, não pode dissolver-se, pois não há o que desmembrar, nem desaparecer nas brumas do caos ininteligível, porque é inteligível. Como sua vivacidade subsiste, escapa aos axiomas das ciências e aos ditames dos ‘nobres’ mortais. Há conjecturas, hipóteses, opiniões diversas, pontos de vista e especulações filosóficas. No entanto, somente o rastro da fé apresenta uma ‘explicação’ ou ‘hipótese plausível’ ou inda um ponto de vista razoável, sem entrar em contradição com a verdadeira ciência. Cientistas e pensadores, há-os de todos os matizes, várias insinuações pululam, mas a verdade segue a certeza da crença: “escândalo para uns, loucura para outros, realidade para os cristãos”.
O ignoto não significa inexistente e o não-ser pode ser ‘ser’.
A epopeia da vida continua, à semelhança de um rio que corre, rumo ao oceano: o peixe sem o rio morre, porém, o rio sem o peixe continua sua trajetória existencial.
Se o morrer nos despisse para sempre da vida, talvez, como afirma Heinrich Heine, o melhor fosse, de fato, nunca ter nascido, jamais ter sentido o sabor de viver.
(Pedro Bezerra de Araújo, Pierre Nadie)
FUNDAÇÃO PATRICIA ASSUNÇÃO
COLUNA DO VICENTE ALENCAR
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