Na Hipocrisia do mundo você se descobre,
e, se encontra, quando vive um grande amor
Vicente Alencar

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

ABENÇOADO


 

PROGRAMA VICENTE ALENCAR RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620.

  PROGRAMA VICENTE ALENCAR

 RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620


PROGRAMA VICENTE ALENCAR

(EDUCAÇÃO,  CULTURA E ESPORTE)

RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620



  Também no seu Celular, no seu Tablet,

no seu Computador



NÃO HÁ DISTÂNCIA QUE NOS SEPARE

NOS 5 CONTINENTES

HORÁRIO: 22 ÀS 23 HORAS

(DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA)

exceto quando há futebol



Direção e Apresentação:

VICENTE ALENCAR


Coordenação:

EMANUELA CAVALCANTI


O corpo do Programa conta com noticias culturais, comentários, informações, pensamentos, um comentário esportivo as 22h30min, poesias, trovas e uma Crônica de encerramento as 22h55min, além de Música Popular Brasileira da ÉPOCA DE OURO

(1930 até 1970).


LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS

 


sexta-feira, 2 de outubro de 2020

PROGRAMA VICENTE ALENCAR RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620 .

  PROGRAMA VICENTE ALENCAR

 RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620


PROGRAMA VICENTE ALENCAR

(EDUCAÇÃO,  CULTURA E ESPORTE)

RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620



  Também no seu Celular, no seu Tablet,

no seu Computador



NÃO HÁ DISTÂNCIA QUE NOS SEPARE

NOS 5 CONTINENTES

HORÁRIO: 22 ÀS 23 HORAS

(DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA)

exceto quando há futebol



Direção e Apresentação:

VICENTE ALENCAR


Coordenação:

EMANUELA CAVALCANTI


O corpo do Programa conta com noticias culturais, comentários, informações, pensamentos, um comentário esportivo as 22h30min, poesias, trovas e uma Crônica de encerramento as 22h55min, além de Música Popular Brasileira da ÉPOCA DE OURO

(1930 até 1970).


LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS

 


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

REDUCIONISMOS E MANIQUEÍSMOS . Fortaleza, 16/9/20. Rui Martinho Rodrigues.

 

REDUCIONISMOS E MANIQUEÍSMOS

O prezado amigo Reginaldo Vasconcelos e o talentoso causídico Betoven Oliveira, brilhantes e cultos integrantes das letras cearenses, prestigiaram os meus escritos dando atenção ao que penso. Lisonjeado, volto ao tema da dicotomia direita e esquerda. Trata-se de uma visão consagrada internacionalmente. Agentes políticos pensam e agem em conformidade com ela. Tem o amparo de grandes autores.

A divisão dicotômica, do ponto de vista ontológico, só aceita duas identidades, a despeito da variedade do pensamento e práticas políticas. Trata-se de uma realidade “evidente” como o geocentrismo. É observável tanto quanto se pode observar o sol girando em torno da terra. Não lhe falta o amparo do argumento de autoridade, da tradição e da observação direta. Tem a sedução das coisas simples. Facilita a comunicação. Atende a comunicação adequada ao jornalista e a política.

A divisão entre gregos e bárbaros era dicotômica. Ignorava a diversidade cultural entre egípcios, persas, fenícios ou outros povos igualmente classificados como bárbaros. Hebreus e gentios; muçulmanos e infiéis; cristãos e pagãos são reducionismos de sucesso nos respectivos meios. Empobrecem a análise. Desconsideram aspectos relevantes da realidade e tendem ao maniqueísmo, que separa o bem e o mal. É uma delícia para os manipuladores e para o proselitismo. Satanizar o outro e canonizar os seus massageia o ego e é uma poderosa arma. Cria ortodoxias, legitima censura e alimenta conflitos. A atual exacerbação de ânimos em parte resulta do maniqueísmo direita e esquerda. Paradigmas, em geral, tendem a causar cegueira, são incomunicáveis e estimulam o viés de confirmação dos nossos equívocos. Paradigmas políticos são mais apaixonantes e fortalecem essas tendências.

Simplificar pode ser um esforço didático do professor e do escritor. Até quem percebe e proclama que nenhum aspecto de nenhuma doutrina é exclusivo da direita ou da esquerda, como Norberto Bobbio (1909 – 2004), na obra “Direita e esquerda”, reconhece, mas admite a existência dos dois blocos na prática política, depois de exaurir uma lista de ideias políticas que aparentemente poderiam ser unicamente de um dos lados.

Mas, antes de reconhecer os dois grupos, afasta as diferenças ontológicas entre eles. Elimina a falácia ad hominem, que glosa um argumento desqualificando quem o apresenta, sem examinar o mérito. Não aceita redarguir uma proposição alegando que “é argumento de esquerda ou da direita”. Afasta, assim, argumentos que dizem: a esquerda é a favor dos pobres e a direita é contra; a direita é favor da liberdade e a esquerda contra; a esquerda é favor da igualdade e a direita contra. Típicas falácias ad hominem, (o outro é do mal, nós somos do bem). É preciso dizer como a proposta do outro fracassa. É também um argumento circular: uma ideia é boa por ser nossa. A crítica deveria demonstrar os resultados favoráveis do que defende e que os outros estão errados conforme a interpretação dos fatos.

Tabelar preço, câmbio sobrevalorizado, protecionismo alfandegário, política de juros podem representar erro ou acerto. Mas isso deve ser demonstrado. Desqualificar por ser de esquerda ou direita é, como dito, falácia ad hominem. Assim ficam afastados os critérios de demarcação segundo os quais um lado defende as minorias e o outro é contra; defende a justiça e o outro as injustiças. O diálogo só é possível quando se admite a boa-fé das partes. Dizer que um lado defende injustiças é uma maneira de ganhar um debate sem precisar demonstrar que está certo. Como defender assalariados, indústria nacional, programa educacional ou grupos identitários? A proposta “do bem” pode causar o mal. Cabe apresentar fatos e analisá-los.

Haverá uma maneira de defender os pontos retrocitados que seja típica da esquerda e direita? Não. O partido comunista Chinês e o do Vietnã são de “esquerda”. Aceitam propriedade e capitais privados, produção para o mercado, prioridade para exportações e duras condições de trabalho acabam favorecendo os trabalhadores. Tiraram 600 milhões da miséria na China. Adotaram alguns aspectos da economia de mercado como um caminho que favorece os trabalhadores.

Peron e Vargas eram anticomunistas (direitistas). Adotaram protecionismo alfandegário, tabelamento de preços e salários, distributivismo fiscal, legislação trabalhista protetora dos assalariados. Há quem ache que eles obtiveram sucesso. Há quem ache que fracassaram. Independentemente do juízo formulado sobre acerto ou erro das políticas aludidas, era “direitistas” e adotaram políticas de “esquerda”. Hoje os herdeiros de Vargas e de Peron são “esquerdistas”, sem mudar uma vírgula de suas concepções “direitistas”. Fascismo e socialismo são, respectivamente, direita e esquerda? Ambos promovem o fortalecimento de Estado em face da sociedade. Ambos defendem a anterioridade da sociedade em face do indivíduo, como se nós nos associássemos, por exemplo, para criar um comércio, com o objetivo de servir ao comércio, não a nós mesmos. Ambos praticam o culto à personalidade dos seus líderes. Ambos são movimentos de massa. Ambos consideram o conflito e a violência como o motor da História. Ambos adotam a ética teleológica para a qual os fins justificam os meios. Ambos têm espírito messiânico, dispondo-se a salvar o proletariado ou a civilização. Ambos são “esquerda”? Então fica difícil definir direita. Um é esquerda e o outro é direita? Então é preciso arranjar uma diferença suficientemente forte para distinguir direita e esquerda.

O problema da identidade das teses destrói a divisão dicotômica. Nacionalismo era direita. O Movimento Comunista Internacional, ao tempo em que era comandado pela Internacional Socialista (leia-se Moscou), adotou o nacionalismo das lutas pela descolonização da África e da Ásia. No início da globalização a esquerda se opunha a ela. Direita era a favor. Favorecia o primeiro mundo em detrimento dos países periféricos, alegavam as esquerdas. Asiáticos se industrializaram e melhoraram de vida. A desindrustrialização prejudicou os países cêntricos. Causou reação nos EUA. A direita, nos EUA, é contra a globalização. Na China a esquerda é a favor. Antecipamos o bem e o mal? Políticas não têm identidade. Quem mais estatizou a economia no Brasil foi o governo Geisel, que salvou o regime comunista de Angola enviando suprimento durante a guerra civil naquele país. Quem aproximou os EUA da China foi o governo Nixon. As relações internacionais não são de direita nem esquerda. O jogo é de conveniência. Salvar o maniqueísmo político só com a dialética, que Lucio Colletti (1924 – 2001) considerava uma senhora de costumes cognoscitivos fáceis.

Culto à personalidade de líderes, estado forte, empirismo, racionalismo, internacionalismo, nacionalismo, violência, paternalismo, cientificismo, messianismo, partidos militarizados e religiosidade são traços que podem ser encontrados em ambos os lados da dicotomia. Exemplo interessante é a ideia conservadora de que o homem não se pertence, por ser da Igreja, pátria e família (direita?). Revolucionários entendem que o homem pertence ao partido e à classe social, não se pertencendo (esquerda?). Conservadores são “direita”. Acham que o homem não se pertence. Liberais acham que o homem se pertence. Direita? Um é moderado e o outro extremado, mas têm a mesma essência? Não. Anarcocapitalistas ontologicamente não são iguais aos liberais e conservadores. Todos são direita? Não podemos coloca-los no mesmo saco. Direita e esquerda são realidades tão evidentes quanto o sol girando em torno da terra.

Fortaleza, 16/9/20.

Rui Martinho Rodrigues.

A NOVA ROUPAGEM DO COLONIALISMO Fortaleza, 30/9/20. Rui Martinho Rodrigues.

 A NOVA ROUPAGEM DO COLONIALISMO

Os gregos concebiam a marcha da humanidade como um eterno retorno.

Salomão (990 a.C. – 930 a. C.) disse que “o que foi tornará a ser, o que foi feito se fará

novamente; não há nada de novo sob o sol”. A história militar ressalta o uso das

mesmas rotas de invasão em sucessivas guerras. O exemplo mais conhecido é a

passagem pela Bélgica, nas duas guerras mundiais, do exército alemão rumo a França.

Agostinho de Hipona (354 – 430) concebeu a sucessão de acontecimentos históricos

como uma marcha evolutiva com um epílogo triunfal na forma da cidade de Deus. Karl

Heinrich Marx (1818 – 1883), na obra “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte”,

expressou um entendimento diferente: disse que a história não se repete, exceto como

tragédia ou como farsa.


A história como sucessão de fatos (terremotos, secas) e atos (conduta

humana), e como interpretação dos nexos e desdobramentos dos ditos atos e fatos,

conforme José Honório Rodrigues (1913 – 1987), na obra “Teoria da História do

Brasil”, certamente ensejam e constituem, respectivamente, narrativas comparáveis às

diversas espécies do gênero drama (tragédia, comédia, farsa, auto); ou do gênero épico,

que celebra feitos memoráveis em forma de poema, romance ou novela. Permitam-me

explicar. Certas circunstâncias dificultam a compreensão até do óbvio. Gêneros são

conjuntos que reúnem diferentes espécies agregadas por algum aspecto comum. O

colonialismo foi apresentado como “O fardo do homem branco”, título do poema de

Rudyard Kipling (1865 – 1936), no qual o autor apresenta a “missão civilizadora” do

imperialismo e adverte sobre os custos do empreendimento, ao tratar da conquista das

Filipinas, que os EUA tomaram dos espanhóis.


O neocolonialismo pode ser descrito pelas várias espécies dos gêneros

drama e épico. A “missão civilizadora” assume a forma de salvação do planeta. Mais

urgente do que civilizar é evitar a extinção da vida. A discussão sobre florestas, oceanos

e indústrias é a nova versão do colonialismo. A indústria encontra-se, em sua maioria,

na Ásia: China, Japão, Índia, Coreia do Sul. Agregando-se à indústria asiática as

fábricas ocidentais do hemisfério norte, EUA, Rússia, Alemanha e outros temos quase

toda a produção industrial do mundo. Mas a “preocupação” é com o Brasil. Vegetais

podem gerar um pequeno saldo positivo na produção de oxigênio, comparado ao

dióxido de carbono que produzem em todo o planeta. Os grandes incêndios em todo o

mundo deveriam preocupar, mas o hemisfério norte não é alvo da missão civilizadora.


Oceanos, fonte principal do oxigênio, deveriam preocupar mais do que florestas, mas

não são território a ser “salvo pela missão civilizadora”.


De repente, não mais que de repente (Marcus Vinicius de Morais, 1913 –

1980), o Brasil é o novo “fardo do homem branco” empenhado em salvar Amazônia,

por coincidência rica em minérios. É mais barato comprar do que tomar. Sempre

levaram tudo da citada região. Declarações de líderes de grandes potências sobre

“soberania compartilhada” e “patrimônio da humanidade” sempre pareceram demagogia

dirigida aos seus eleitores. Agora preocupam. Líderes se tornam prisioneiros da retórica.

Aventura militar pode render votos. As nossas defesas são frágeis. Possibilitam uma

intervenção internacional para “salvar o planeta” a baixo custo. Como no Iraque e nos

Balcãs, ficaríamos impedidos de voar. Os brasileiros estão divididos. Comunicação por

satélite seria silenciada e as cadeias de comando interrompidas. A Ásia está em vias de

ser subtraída da influência ocidental pela China. Problemas internos das grandes

potências tornaram-se graves. Uma intervenção fácil, barata, pelo nobre motivo de

salvar o planeta pode ser tornar oportuna.


Fortaleza, 30/9/20.

Rui Martinho Rodrigues.

PROGRAMA VICENTE ALENCAR RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620.

PROGRAMA VICENTE ALENCAR

RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620


PROGRAMA VICENTE ALENCAR

(EDUCAÇÃO,  CULTURA E ESPORTE)

RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE AM 620



  Também no seu Celular, no seu Tablet,

no seu Computador



NÃO HÁ DISTÂNCIA QUE NOS SEPARE

NOS 5 CONTINENTES

HORÁRIO: 22 ÀS 23 HORAS

(DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA)

exceto quando há futebol



Direção e Apresentação:

VICENTE ALENCAR


Coordenação:

EMANUELA CAVALCANTI


O corpo do Programa conta com noticias culturais, comentários, informações, pensamentos, um comentário esportivo as 22h30min, poesias, trovas e uma Crônica de encerramento as 22h55min, além de Música Popular Brasileira da ÉPOCA DE OURO

(1930 até 1970).


LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS