Na Hipocrisia do mundo você se descobre,
e, se encontra, quando vive um grande amor
Vicente Alencar

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

PRESTIGIE OS AUTORES CEARENSES


13 PASSOS PARA O BEM

01- Por mais que lhe falem da tristeza, prossiga sorrindo!
02- Por mais que lhe demonstrem rancor, prossiga perdoando!
03- Por mais que lhe tragam decepções, prossiga confiando!
04- Por mais que lhe ameacem de fracasso, prossiga apostando na vitória!
05- Por mais que lhe apontem erros, prossiga com os seus acertos!
06- Por mais que discursem sobre a ingratidão, prossiga ajudando!
07- Por mais que noticiem a miséria, prossiga crendo na prosperidade!
08- Por mais que lhe mostrem destruições, prossiga na construção!
09- Por mais que acenem doenças, prossiga vibrando saúde!
10- Por mais que exibam ignorância,  prossiga exercitando sua inteligência!
11- Por mais que o assustem com a velhice, prossiga sentindo-se jovem!
12- Por mais que plantem o mal, prossiga semeando o bem!
13- Por mais que contem mentiras, prossiga na sua verdade!

POR MAIS DIFÍCIL QUE LHE PAREÇAM ESSAS 13 TAREFAS,
PROSSIGA ACREDITANDO NA CAPACIDADE QUE DEUS LHE DEU PARA CUMPRI-LAS !

A fatura chegou

Mais uma vez este país está chocado com um crime de uma barbaridade hedionda. "Bandidos invadiram o consultório da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza. Roubaram o seu cartão de banco. Como havia apenas R$ 30 na conta, jogaram álcool no seu corpo e puseram fogo." Algum de Vocês já encostou em um ferro em brasa ou derramou água fervendo no braço? A dor é insuportável. Imagine agora o fogo consumindo o corpo inteiro. Um dos criminosos é um jovem de 21 anos, classe média, a mãe tem um Audi. Mas a Zesquerda e as Ongeus já alertaram, não se pode nem pensar em punir os criminosos, a culpa é da sociedade, não dos criminosos, mesmo que eles não sejam da classe proletária.

Outro dia teve um crime hediondo em Minas. Um cidadão, com um tumor na cabeça em estágio avançado, não sabia mais nem quem era ele próprio, foi internado em um hospital público. Saiu sem autorização e foi pedir comida em uma padaria. Confundido com um assaltante, foi espancado pelos transeuntes, internado com ferimentos sérios, agonizou por dois dias e morreu.

Na mesma ocasião, aqui em Fortaleza, um cidadão acusado de seis assassinatos, exercendo seus direitos constitucionais e respondendo em liberdade, saiu de uma audiência no fórum e foi fuzilado ao entrar em um táxi. Coisa semelhante tinha acontecido com um dimenó na saída da delegacia, fuzilado ao entrar no táxi do padastro.

Semanas atrás, no interior do Pacajus, três bandidos invadiram o casebre de dois velhinhos atrás de cinco mil reais que alguém tinha dito que eles possuíam. Em vão os velhinhos negaram, apanharam e por fim eles jogaram álcool no marido e ameaçaram tocar fogo se a mulher não entregasse os cinco mil. Por sorte, um dos bandidos peitou os outros dois e eles a ameaça não foi executada.
E em todo lugar é a mesma coisa, na cidade e no campo. A Band fez uma série de reportagens sobre a violência no campo. A cosia está tão feia que os bandidos do MST estão abandonando os acampamentos com medo uns dos outros.

Enquanto na Inglaterra capitalista a taxa de assassinatos caiu pela metade nos últimos dez anos, aqui neste país a violência campeia solta. Era 60 vezes mais perigoso morar em Fortaleza do que em Londres. Era no ano passado, hoje a coisa piorou.

Mas isto tudo é de se esperar. Em todos os países socialistas, o importante é ser fiel ao chefe, a única competência é a fidelidade ao chefe. A criminalidade na Venezuela e na Argentina disparou, neste país não tem porque ser diferente.

O povo deste país está colhendo o que plantou. Há doze anos acreditando que a corrupção é o único caminho para a prosperidade e apoiando em massa os ladrões maiores da história deste país. Acreditando que o futuro não está na educação e no trabalho, mas na esperteza e na ignorância.

A fatura chegou. Quer dizer, só o começo da fatura. Quem sobreviver aos trombadinhas e aos ptistas verá.

PRESTIGIE OS AUTORES CEARENSES


SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL 23/09/2015

SOCIEDADE DE CULTURA LATINA DO BRASIL 
                          Regional  do Ceará
                Fundada em 15 de abril de 2004

23 de setembro de 2015

O AVÔ INTERDITO
Batista de Lima
(Da Academia Cearense da Língua Portuguesa)

Uma palavra cruzou tua tarde
asa negra em vôo sem volta
e a máquina do mundo trincou teu coração
e o mês se dividiu em claroescuro
e os bois esqueceram os berros
e os gatos suspenderam os saltos
e as nuvens se avolumaram aladas
e a brisa se tornou arrobas
e os homens se renderam aos passos
e os pássaros se prenderam aos galhos
e a noite se antecipou à tarde
e a casa se travou em grades
e o tempo se esculpiu crispado
e sete homens te conduziram em prece
e sete damas te carpiram léguas.

Uma palavra apunhalou teu sonho
numa touceira de versos petrificados
e as cancelas se fecharam em cruzes
e o lamaçal se tornou pedreira
e minha avó adormeceu viúva
e sete palmos te cantaram alvíssaras
e as margaridas se desfizeram em pétalas
e um vento quente se deslocou da serra
e um galo rouco descosturou a hora
e as moradeiras se desfizeram em preces
e a umburana se transformou em veste
e o sino triste repicou lamentos.

Uma palavra te emparedou os rumos
e o Padre Ignácio te benzeu os pés
e minha dor se negou ao verbo
e os peixes órfãos se perfilaram açudes
e o alpendre em sombra pestanejou adeuses
e cada vizinho te ofertou um luto.

Uma palavra desarrumou teu gesto
e a vaca preta suspendeu a mama
e a chaminé transfigurou-se em lama
e a Serra Negra enegreceu o dia
e a vila triste te recebeu deitado
e o criador se arrependeu já tarde
e a minha avó anoiteceu viúva.

PLACIDEZ
Neide Azevedo Lopes
(Da Academia Cearense da Língua Portuguesa 
e da Sociedade Amigas do Livro, de Fortaleza)

Repousas teu desejo em meu desejo
E juntos, varamos o peso das sombras
A noite cai, sobre insondáveis fendas
E juntos, vestimos túnicas de sonhos

Repousas tuas mãos sobre as minhas
E as deixamos viajar sem rumos
A noite cai sobre impalpáveis brisas
E juntos voamos as asas do vento

Repousas teu corpo em meu corpo
e tudo há de ficar aquietado
A noite cai sobre invisíveis sendas
E juntos, velamos a estática brancura.

Repousas tua alma em minh'alma
e nada mais precisa ser mudado
A noite cai sobre o imprevisível medo
E juntos, absorvemos o mudo silêncio.

DESENCANTO
Zinah Alexandrino
(Da Academia Feminina de Letras
 e da Associação de Jornalistas
 e Escritoras do Brasil-AJEB.)

Encharquei-me de perfume,
usei o vestido mais sensual,
fugi do meu mais completo
modo habitual.
Viajei  nas horas antegozando
cada segundo que antecedia
o nosso encontro.

Enchi-me de mistérios
para te encantar, 
imaginei a melhor performance
para de vez te conquistar,
ensaiei caras e bocas
em frente ao espelho.

Desta vez era tudo ou nada,
definição total.
Mas na hora "h",
que decepção!
Você ficou na mesmice 
e quebrou-se o encanto.

MAIOR QUE TUDO
Vicente Alencar
(Vice Presidente Nacional da
Sociedade de Cultura Latina 
do Brasil - Regional do Ceará)

Quando giras a cabeça
com uma graça infantil
e bem particular,
sinto que meu interior
balança, meu coração arranca
e todo meu ser se altera.
É a força do sentimento
que tenho por tí,
bem maior que tudo
que antes me aconteceu.

Teu gestos são ímpares
e me fazem bem a vista e a alma.
Quando não estás comigo
nada se modifica
e não vejio beleza em nada.

Quando estamos juntos 
tudo é motivo de alegria
e o nascimento do teu sorriso
modifica meu ser
e altera meus instintos.
Vivo um permanente estado de amor!

Atenção!
De segunda a sexta-feira (nos dias em  que a Emissora não transmite futebol) o Programa Vicente Alencar - Educação, Cultura e Esporte. Das 22 ÀS 23 HORAS, antes das Últimas do Esporte e depois do Programa Liberdade de Expressão do Morais Filho.

Nos aparelhos de RÁDIO: 620 AM. E na internet: radioassuncaocearense.com

Dia 3 de outubro às 9h30min na Casa de Juvenal Galeno - Rua General Sampaio, 1128, no centro de Fortaleza a realização da reunião da UBT - União Brasileira de Trovadores, Secção de Fortaleza.

Naquele dia haverá a premiação de todos os ganhadores do Concurso de Trovadores Maciço de Baturité organizado por Anamaria Nascimento, Artemiza Correia e Francinete Azevedo.

Desejamos a todos os nossos amigos uma bela semana.

sábado, 19 de setembro de 2015

Pesquisa desvenda segredo surpreendente do café contra o sono

Pesquisa desvenda segredo surpreendente do café contra o sono

  • 17 setembro 2015
Image copyrightGetty
Image captionExperimentos mostraram que a cafeína tem a capacidade de alterar os relógios químicos que atuam em toda célula do corpo
Tomar um copo de café à noite pode te deixar acordado por mais motivos do que você pensava, apontam cientistas.
Um estudo publicado na revista Science Translation Medicine diz que a cafeína é mais do que um estimulante, atuando na verdade de modo a desacelerar o relógio interno do corpo.
Um expresso duplo três horas antes de dormir atrasou a produção de melatonina, o hormônio do sono, em cerca de 40 minutos, dificultando o processo de adormecimento.
Como parte do estudo, células cultivadas em laboratório foram expostas à cafeína para verificar como alteravam seu ritmo.
Comprovou-se na ocasião que a droga foi capaz de alterar os relógios químicos que atuam em toda célula do corpo humano.
Um dos pesquisadores, John O'Neill, do Laboratório de Biologia Molecular de Cambridge, na Inglaterra, afirmou à BBC: "Se você estiver cansado e tomar um café à noite para ficar acordado, é uma má ideia, você terá dificuldades para adormecer e dormir o tempo suficiente."

Experimentos à meia luz

Em outra frente de pesquisa, cinco pessoas na Universidade de Colorado Boulder, nos EUA, foram trancadas num laboratório do sono por 50 dias.
E enquanto a exposição à luz é o nosso modo padrão de controle do relógio interno, eles passaram a maior parte do tempo sob uma luz muito suave.
Numa série de experimentos ao longo de um mês e meio, os cientistas mostraram que uma dose noturna de cafeína atrasou o relógio interno do corpo em 40 minutos.
Foi quase o impacto de três horas de luz forte na hora de dormir.
Image copyrightBBC World Service
Image captionUma dose noturna de cafeína pode ter o efeito no sono semelhante à exposição a três horas de luz forte
Segundo O'Neill, seria uma "completa especulação" tentar apontar um horário a partir do qual vetar o consumo de cafeína à noite, mas ele, pessoalmente, diz nunca beber café depois das 17h.
O pesquisador afirma que os resultados podem ajudar no tratamento de distúrbios do sono e de pessoas que acordam naturalmente muito cedo, para que mantenham a sincronia com o resto do mundo.
"Isso poderia ser útil em situações de jet lag. Se você estiver voando de leste para oeste, por exemplo, ingerir cafeína na hora certa do dia poderia acelerar o tempo que levamos para superar o jet lag", acrescentou.
Derk-Jan Dijk, da Universidade de Surrey, na Inglaterra, afirmou à BBC: "Indivíduos possuem diferentes níveis de sensibilidade à cafeína, e apreciadores de café com problemas de sono podem tentar evitar a bebida à tarde e à noite."
Ele diz ainda que pessoas "muito frequentemente" pensam ser "escravos" de seus relógios internos e que estão programados para acordar cedo ou tarde de forma definitiva.
"Esse e outros dados indicam claramente que podemos em alguma medida modificar esses ritmos e que parte das razões pelas quais dormimos tão tarde se relaciona a fatores como ingestão de cafeína e exposição à luz artificial durante a noite", afirmou.

Tolerância da sociedade faz corrupção ser grande, diz desembargador

Tolerância da sociedade faz corrupção ser grande, diz desembargador

  • 17 setembro 2015
O desembargador federal Fausto de Sanctis (Foto: Divulgação/TRF)Image copyrightTRF
Image captionFausto de Sanctis atuou no caso Banco Santos e nas operações Satiagraha e Castelo de Areia
Ao receber a reportagem da BBC Brasil em seu gabinete no Tribunal Regional Federal da 3ª região, em São Paulo, o desembargador Fausto de Sanctis conta que esteve, dias antes, na Conferência Internacional Anticorrupção, realizada na Malásia no início deste mês.
O evento, relata, teve uma votação para eleger os casos de corrupção "do momento" no mundo. "Foram três: o do primeiro-ministro da Malásia (US$ 600 milhões foram descobertos em sua conta), o da Fifa e... o da Petrobras."
Como juiz federal, De Sanctis foi responsável por duas ruidosas operações sobre crimes financeiros na década passada: a Castelo de Areia, que tinha como alvo o grupo Camargo Corrêa – citada na Lava Jato – e a Satiagraha. Na última, foi acusado por Gilmar Mendes, então presidente do Supremo Tribunal Federal, de afrontar a corte ao determinar prisão do banqueiro Daniel Dantas pouco depois de o ministro ter acolhido habeas corpus.
Hoje desembargador, ele diz não poder falar dos casos que lhe tornaram famoso. Mas externa suas críticas ao sistema jurídico, principalmente no tratamento a crimes econômicos, citando a possibilidade de anulação de processos – o fim das duas operações.
Autor de livros sobre corrupção, De Sanctis falará na semana que vem sobre o papel de empresas no combate na Conferência Ethos 360°, realizada pelo Instituto Ethos, em São Paulo. Defensor da delação premiada e da alienação de bens, ele afirma ver, na sociedade, tolerância com a corrupção. "Sonegação não passa de corrupção", exemplifica.
Leia os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil - A relação nociva entre empresários e o poder foi cerne da Satiagraha e da Castelo de Areia, e está no centro da Lava Jato. O país está avançando no combate a esse tipo de ligação?
Fausto de Sanctis - O Brasil vive um aparente aperfeiçoamento institucional. O que foi realmente inovador, um marco, foi a criação das varas especializadas em lavagem. Em alguns países se defende a criação de varas de corrupção, o que talvez esteja faltando aqui. Ela é tão sistêmica, não tem sentido não ter mais casos correntes em um país em que se vê corrupção em todo lugar.
Havia um sentimento absoluto de impunidade. E o início das varas, aquele protagonismo, incomodou muito. Houve uma reação da criminalidade econômica, com ajuda de setores do Congresso Nacional.
O banqueiro Daniel Dantas, na Câmara, em 2009 (Foto: Rodolfo Stckert/Ag. Câmara)Image copyrightAg. Camara
Image captionDaniel Dantas foi alvo de polêmica ao De Sanctis mandar prendê-lo após habeas corpus do STF
Vimos, com a criação das varas, não só um injustificado repúdio ao seu funcionamento pelo próprio Judiciário. Teve o Legislativo querendo rever legislação já aplicada para o crime comum há muitos anos, mas que, quando aplicada para o econômico, passou a ser revista. Para ele continuar acima da lei.
(Houve) a releitura sobre a prisão, sobre monitoramento telefônico... que existe em tudo quanto é país – quando é necessário, não é que você grampeia todo mundo. Houve um movimento até de acabar com as varas.
BBC Brasil - Foi preciso surgirem essas varas especializadas (no combate à corrupção) para os casos virem à tona?
De Sanctis - O problema sempre existiu, obviamente. A corrupção existe em todo lugar. No país desenvolvido, os agentes corruptos usam de maneira indevida o sistema. Nos subdesenvolvidos, o sistema é fraco.
Em todo o Brasil, o sistema é fraco. É uma luta inglória para conseguir dar a sentença porque, até certo momento atrás, os processos eram parados por habeas corpus sem sentido. Eram paralisados, quando não declarados nulos. Tudo era nulo, não importa o quê.
E tem um sistema legal com punições brandas. No caso da corrupção, a literatura mundial diz que tem de haver prisão. As pessoas têm de sentir que a corrupção não vale a pena, que o crime econômico não vale a pena. Não tem sentido aplicar multa porque isso entra nos custos do delito. Suspender alguns contratos? Não vai bastar.
Há esse problema de legislação, o mau funcionamento do sistema procedimental, que permite recursos ad aeternum, quando não habeas corpus a todo instante, inclusive de réus soltos. Um sistema único e particular, que faz com que os processos não cheguem à execução da pena.
(Foto: TV Brasil)Image copyrightDivulgacao l TV Brasil
Image captionDe Sanctis diz esperar que prisões de políticos e empresários não seja "movimento político"
BBC Brasil - O que mudou para hoje vermos empresários e políticos irem presos?
De Sanctis - Espero que não seja um movimento político. Ou seja, porque se deseja asfixiar as pessoas que estão no poder. Que seja resultado de um aperfeiçoamento, ou da conscientização das autoridades judiciárias de seu papel de atender às expectativas sociais.
Se há indício forte de corrupção, tem que haver resposta rápida, eficiente, e não passar a mão na cabeça. O Poder Judiciário é um Poder de reafirmação de valores. E esses valores só são reafirmados quando tem a resposta da lei. E a lei prevê prisão, apesar de ser uma pena baixa, que começa com dois anos. A corrupção pode ser de R$ 500 milhões ou de R$ 1, (o que, aliás) não tem sentido.
BBC Brasil - Muito se discute o financiamento empresarial de campanhas nesse contexto.
De Sanctis - O que se falou nesses debates na Malásia é que o financiamento partidário dos políticos é um elemento para ser bem regrado pelo Estado, porque é um campo profícuo de corrupção.
Mas olha, não se combate a corrupção olhando do povo em direção ao governo. Se o particular não for honesto, não vai ter um governo honesto. A nossa tolerância é que faz com que a corrupção seja grande. E não porque os corruptos estão lá, como se fosse algo dissociado da cultura em que estão inseridos.
Só vou sentir aperfeiçoamento quando, ao andar na (av.) Paulista, não houver comerciantes que vendem sem nota fiscal e todo mundo achar isso tolerável. As pessoas sonegam como se fosse um fato da vida, quando não passa de corrupção. É o dinheiro público que não vai para o Estado.
E a resposta legítima do Estado só vai vir quando houver sustentação na sociedade. As manifestações de 2013 deram sustentação aos políticos para aprovar a Lei Anticorrupção. Nunca se pensou que essa lei fosse passar.
BBC Brasil - E o foro privilegiado? O senhor é um crítico...
De Sanctis - A seletividade dos juízes (nos julgamentos) é a primeira (ação) a ser combatida e isso não está entre as dez propostas do Ministério Público Federal de combate à corrupção, o que me causa estranheza.
(Foto: TSE)Image copyrightTSE
Image captionApós Gilmar Mendes devolver ação, STF voltou a discutir veto a doações eleitorais de empresas
Porque uma das marcas (necessárias) são a imparcialidade e a independência, de todos que têm o ônus e o dever de apurar crimes graves. E têm que ser garantidas com critérios objetivos.
E isso não é só para juízes. Do que adianta termos tribunais de contas cujos membros são indicados por conveniências políticas? Não pode ter apadrinhamento nos setores que cuidam de licitações públicas. Esses setores não podem ter cargos comissionados, senão perdem a razão de existir. É melhor ter auditorias independentes.
BBC Brasil - Na Lava Jato, advogados criticam o que chamam de concatenação entre o juiz Sergio Moro, o Ministério Público e a PF. E essa é uma crítica que já foi feita ao senhor no passado. Como vê isso?
De Sanctis - É uma crítica muito superficial. Esquecem que a polícia se qualificou muito, agregou conhecimento das investigações no passado. Está mais difícil ludibriá-la. As varas especializadas permitiram um ganho que levou a investigações cada vez mais eficazes. Isso vale também para o Ministério Público e para o juiz.
Sendo bem feito pela polícia, o trabalho provavelmente será ratificado pelo Ministério Público e reconhecido pelo Judiciário. Não adianta achar que houve concatenação ou ligação indevida.
Muitos delegados, quase todos, só conheci trabalhando. O relacionamento era meramente profissional. Um trabalho que acredito que deva ser como o do Paraná (Lava Jato).
(Foto: Reinaldo Ferrigno/Ag. Câmara)Image copyrightAg. Camara
Image captionPara Fausto de Sanctis, polícia avançou na investigação de crimes de corrupção
BBC Brasil - Outras críticas são que prisões seriam usadas para obter delações e que o próprio instituto da delação premiada poderia levar pessoas a cometerem crimes planejando um acordo caso sejam pegas...
De Sanctis - Quando temos uma lei falando que a confissão é um atenuante, ela está estimulando a pessoa a confessar. Está exercendo uma pressão psicológica. Quando estabelece que a desistência voluntária de um crime ou arrependimento posterior tem diminuição de pena, está fazendo uma pressão psicológica, que é legítima. Com a delação premiada não é nada diferente.
A prisão, por si só, exerce pressão psicológica. A pessoa vai presa porque requisitos são preenchidos. E é óbvio que, ao delatar, vai esperar a soltura. O juiz, ao soltar, nada mais faz do que cumprir a legislação.
Agora, isso não significa que o delatado não é digno de ser ouvido. A palavra do delator não vale, em hipótese alguma, como prova absoluta. É só um caminho para a revelação do fato. Deve ser confirmada com outros meios, senão não basta.
BBC Brasil - O sr. foi um dos primeiros a atuar na apreensão de obras de arte....
De Sanctis - Quando falei para a Polícia Federal, em 2004, "vocês estão apreendendo bens, veículos e imóveis e se esquecem de obras de arte", todo mundo me olhou como se isso fosse menos importante. Agora não se discute mais isso, por conta da Lava Jato.
Vi traficantes negociando obras para pagamento de advogados. E conseguindo adquiri-las de maneira muito fácil, nessas casas de leilões internacionais, que não têm nenhum compromisso com a prevenção à lavagem. O processo penal não é só condenar e absolver. Inclui a relação de bens e o tratamento deles porque sem apreensão não há o asfixiamento do crime organizado.
(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag. Brasil)Image copyrightAg. Brasil
Image captionSergio Moro, juiz da Lava Jato, é alvo de críticas de advogados por causa de prisões preventivas
Falando nisso, a pessoa jurídica tem de ser responsabilizada. No Brasil, historicamente, pessoas físicas são responsabilizadas. Mas elas são substituídas, e as jurídicas continuam. Por isso o problema de empresas que reiteram na prática criminosa, principalmente aquelas que financiam campanhas políticas.
BBC Brasil - Como o sr. vê os acordos de leniência (feitos pela Controladoria-Geral da União, geralmente permitindo às empresas que confessem continuar prestando serviços ao governo)?
De Sanctis - A impressão que se tem é que os acordos estão sendo feitos para se acomodar o crime econômico. Isso não pode acontecer. Tem de ser sério, com a primeira empresa a falar. (Ela) não pode trazer fatos já conhecidos. Não pode ser um acordão que fique conveniente para as empresas e que dê sobrevida a quem não pode dar. A lei estabelece até a dissolução se for o caso.
O Brasil tem que realmente passar a limpo, com seriedade. E não usando a legislação para benefício do crime organizado. Espero que não seja isso que esteja acontecendo por parte da Controladoria-Geral da União.
BBC Brasil - O sr. foi um dos primeiros juízes a adquirir fama por casos de corrupção. Os ministros do STF viveram isso com o mensalão, e hoje o Moro. Fama colabora ou atrapalha?
De Sanctis - Quando eu ia dar palestra, juízes me colocavam em um pedestal. Eu saía do palco e dizia: "olha, nós somos colegas". A pessoa colocada nesse pedestal pode perder o chão. Isso não é bom, a autoridade nunca pode perder o chão. Tem que fazer o exercício da humildade o tempo todo. Estou só cumprindo com o meu dever.
O que me marcou é que o sistema está de tal forma ineficiente que faz com que certas pessoas que estão atuando conforme a lei virem heróis. Isso é péssimo. Não é a pessoa física que precisa ser valorizada. É preciso ter instituições fortes que sejam valorizadas.